Empresas mudam estratégias de negócio para sobreviverem à crise de Covid-19

Pesquisa da EY demonstra que a maioria das corporações adaptou suas operações e prevê longo período de recuperação até 2021.

O impacto da Covid-19 atingiu todo o mundo de forma intensa e imprevisível. Líderes empresariais tentam manter os negócios ativos enquanto estudam formas de crescer no pós-crise, afirma pesquisa da EY. Realizada entre fevereiro e março, com mais de 2.900 CEOs, CFOs e executivos de 45 países, a 22ª edição do Global Capital Confidence Barometer comprovou que o cenário atual exige rápida tomada de decisões e criação de valor em longo prazo para as organizações.

No início de fevereiro, antes da pandemia deflagrar, apenas 18% dos entrevistados tinham uma visão negativa da economia global. Poucas semanas depois, 46% assumiram esse tom e 73% afirmaram que a Covid-19 trará impactos econômicos severos.

“O cenário é crítico em diversos âmbitos da sociedade, mas os maiores impactados nessa crise são as pessoas. É preciso focar na preservação das vidas e garantir a subsistência àqueles que estão em situação de risco. Por isso, o bem-estar da força de trabalho e a manutenção do emprego devem ser prioridades para as empresas”, afirma Eduardo Tesche, sócio de consultoria em estratégia e operações da EY.

No Brasil, quando a pesquisa foi realizada a situação do país ainda não era tão grave, mesmo assim os números já indicavam uma preocupação com os impactos da pandemia. 45% dos executivos, por exemplo, enxergavam um cenário de retração da economia local.

Com as vulnerabilidades nas cadeias de suprimentos, por conta das interrupções de alguns serviços e setores, 61% dos respondentes brasileiros precisaram alterar sua configuração de trabalho e 44% disseram que devem rever a aceleração da automação. Na opinião dos entrevistados, os setores mais atingidos no Brasil seriam Manufatura, Transportes e automotivo, Consumo e Serviços Financeiros. Do outro lado, os menos afetados: Telecomunicações, Mídia e entretenimento, Life Sciences, Construção e Imóveis.

“Temos visto respostas em tempo real à medida que os eventos evoluem. Hoje o ‘novo normal’ é lidar todos os dias com desafios e constantes mudanças. Para a maioria das empresas, o impacto total na receita e na lucratividade ainda é incerto”, diz Eduardo.

Transformação

Enquanto pensam em soluções imediatas, 72% dos líderes também olham para o futuro pós-crise, planejando revisões mais regulares da estratégia e do portfólio. Os executivos sinalizam que priorizarão novos investimentos em digital e tecnologia (43%) e na alocação de capital em seu portfólio (42%). A ideia é ser mais ágil na identificação de oportunidades de crescimento e na mitigação de riscos ao negócio.

Com a maioria dos entrevistados (54%) apostando em um período de recuperação que durará até 2021, a intenção de buscar ativamente fusões e aquisições nos próximos 12 meses permanece elevada (56%). A diferença é que agora os executivos devem se concentrar mais na resiliência comercial ao avaliar uma transação (38%) e já estão preparados para ver as avaliações caírem (39%).

“O cenário de fusões e aquisições geralmente permite às empresas fazerem aquisições de alta qualidade em um mercado em recuperação, o que pode ajudar a acelerar o crescimento da economia no pós-crise”, complementa Tesche.

Sobre o Global Capital Confidence Barometer

O estudo Global Capital Confidence Barometer mede a confiança das empresas nas perspectivas econômicas e identifica as práticas da diretoria no gerenciamento de capital. É uma pesquisa da EY regular com executivos seniores de grandes organizações do mundo, conduzida pela Thought Leadership Consulting, uma empresa do Euromoney Institutional Investor.

• A consulta ocorreu em fevereiro e março deste ano, com mais de 2.900 profissionais em 45 países; 70% eram CEOs, CFOs e outros executivos C-level.

• Os entrevistados representaram 14 setores, incluindo Serviços Financeiros, Consumo e Varejo, Tecnologia, Automotivo e Transporte, Petróleo e Gás, Energia e Serviços Públicos, Mineração e Metais, Manufatura, Mercado Imobiliário, Hotelaria e Construção.

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