Crédito da foto: Gelson Bampi

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Previsão de melhora na economia aumenta confiança do industrial paranaense em setembro

Pelo terceiro mês seguido, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgado pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), registrou alta e chegou a 59,6 pontos. Houve crescimento significativo em relação ao mesmo período do ano anterior. Em setembro de 2018, o valor foi de 52,1 pontos. No mês passado, o resultado do ICEI foi de 59,4 pontos. O resultado no Paraná está alinhado aos dados nacionais divulgados nesta quinta (18/9), pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em que o ICEI somou 59,4 pontos, mantendo-se estável em relação a agosto.

O ICEI varia de zero a 100 pontos e está acima dos 50, na área de otimismo. Ao decompor o indicador, observa-se que o índice de condições, que avalia a economia e a empresa nos últimos seis meses, e estava abaixo dos 50% até agosto, na área de pessimismo, cresceu 2,5 pontos. Chegou a 52,4, na faixa de otimismo. Já o de expectativas, que faz a mesma projeção para o futuro, teve ligeira queda, saindo de 64,1 para 63,2 pontos, ainda bem acima dos 50 pontos.

De acordo com o economista da Fiep, Evânio Felippe, o resultado está atrelado a uma melhora no cenário econômico. “A expectativa de redução na taxa de juros confirmada na última reunião do Banco Central, de 6% para 5,5% ao ano, além de avanços nas reformas da Previdência e Tributária, em Brasília, influenciaram positivamente a opinião do empresário em setembro”, justifica.

A previsão de inflação divulgada no último Boletim Focus, do Banco Central, de 3,45% para 2019, e de 3,80% para 2020, abaixo das metas do Governo, que eram de 4,25 e 4%, respectivamente, também impactam na indústria. “A redução da taxa torna mais atrativa a realização de investimentos por parte do empresário porque os custos dos empréstimos tendem a ficar mais baixos. E isso é um incentivo a mais para o crescimento da atividade industrial”, explica.

Por ser um período de maior consumo na economia, o segundo semestre tem impacto significativo na indústria. “A liberação de parte do FGTS é um ingrediente extra que pode contribuir para aquecer as vendas no varejo. Isso sinaliza que a produção na indústria tende a aumentar para abastecer a demanda do mercado interno e isso se reflete numa percepção mais otimista do empresário”, reforça.

Apesar do terceiro mês de crescimento no indicador de confiança, o ritmo ainda está abaixo do esperado. O pequeno crescimento do PIB no ano passado, de 1,1%, e o previsto para este ano, de 0,87%, têm reflexos no setor produtivo. “Há um certo receio do empresário, tanto em relação à retomada dos investimentos quanto para criação de novos postos de trabalho, em função da lentidão na recuperação da atividade econômica brasileira. Se a economia não deslanchou, o industrial aguarda o melhor momento rever seu planejamento. Um aprendizado que faz parte do processo de recuperação da última crise, o que é natural”, comenta.

Sondagem

A divulgação da Sondagem Industrial de agosto é uma confirmação dessa tendência conservadora do empresário. Sessenta e cinco por cento das empresas paranaenses que participaram da pesquisa mensal da CNI revelaram que pretendem manter o número de empregos atuais. E 47,5%, menos da metade, estimam aumento na demanda por produtos nos próximos seis meses.

No mesmo estudo, somente 38% revelou ter intenção de fazer novos investimentos, e apenas 37,5% preveem aumentar a compra de matéria-prima, o que poderia indicar aumento de produção.

Para o presidente do Sistema Fiep, Edson Campagnolo, o otimismo mais efetivo do empresário virá quando ele tiver convicção de que o ambiente de negócios realmente está mais favorável. “Além do que já vem sendo feito, como a redução dos juros e a aprovação da Reforma da Previdência, a racionalização dos impostos, prevista na proposta de Reforma Tributária, pode contribuir para que o empresário tenha mais segurança de suas obrigações fiscais e legais. Só assim poderá melhorar processos internos, otimizar tempo e custos com questões tributárias e ter condições mais propícias para retomar os investimentos e criar novos empregos”, avalia.

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