QUER INVESTIR NUM IMÓVEL? VEJA AS DICAS E NÃO CAIA EM CILADA

Sérgio Tavares, Diretor da STavares Consultoria Financeira, com MBA em Gestão Econômica e Financeira de Empresas pela FGV (RJ)

 

É a segunda vez, neste ano, que a Caixa Econômica reduz os juros do crédito imobiliário e eleva a cota de financiamento de imóveis usados. Mesmo diante deste cenário aparentemente promissor, será vantajoso investir num imóvel?

 

Avalie seu objetivo
Primeiro, é preciso saber que o investimento em imóvel não possui boa liquidez como uma aplicação financeira. Ou seja, caso você precise vender o ativo para realizar o lucro na venda, nem sempre o consegue de forma rápida, se comparado ao resgate de um investimento feito no mercado financeiro. Sendo assim, é importante estudar o local, saber se está valorizado no mercado, se existe muita oferta de imóveis na região e se a demanda está grande.

Mas se a finalidade do investimento no imóvel for para moradia, é importante avaliar se o planejamento é morar no local por muito tempo, para que o investimento faça sentido, uma vez que os custos fixos serão muitos altos. Caso o objetivo seja morar por um tempo curto, é muito mais prudente alugar um imóvel e não ter uma obrigação financeira de médio e longo prazo, além de ter espaço para investir em outras alternativas.

 

Entrada maior x entrada menor

Com o aumento da cota para financiamento de imóveis usados, se tornou possível desembolsar um valor menor na entrada. Entretanto, este é um caminho melhor do que os financiamentos que exigem um valor maior?

Com a facilidade de dar uma entrada menor, você não precisará se descapitalizar tanto e comprometerá menos o seu patrimônio. Mas não se engane: quanto menor o valor de entrada, maior será o valor da prestação mensal do empréstimo e o valor da taxa de juros do contrato.

O ideal é não se endividar com um número muito grande de parcelas, que comprometem por muito tempo o orçamento mensal. Sempre que possível, utilize rendas extras, bônus e 13º para quitar parcelas futuras com desconto e, consequentemente, reduzir o tempo de quitação do empréstimo.

 

Cenário real

Hoje, temos mais de 63 milhões de pessoas endividadas e com o nome sujo nos órgãos de proteção ao crédito. Isso tem causado um volume de inadimplência muito alto nas famílias brasileiras. Mesmo com a redução da taxa de juros, as pessoas estão sem poder de compra, o que impossibilita que elas acumulem novas dívidas. O ideal seria o Governo criar opções de refinanciamento das dívidas dos cidadãos para que eles tenham maior disponibilidade financeira para comprar bens e serviços, investir, e, enfim, movimentar a nossa economia.

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